• Maria Correia

Rodrigo Neves se destaca na cena como um dos difusores do stoner punk no país


By Collapse Agency

Músico integra o power-trio Tigersharks

Definitivamente o Tigersharks segue como uma das grandes revelações da cena stoner/punk no Brasil com o seu som intenso e único, abrindo portas para uma música que não tem medo de experimentar e inovar.

Rodrigo Neves, guitarrista e frontman da banda, contribui para a banda trazendo influências do heavy metal setentista e o modernizando com a pegada skate punk e grunge, dando uma cara comteporânea ao som do power-trio.

Tendo uma base musical forte, o músico canta de forma peculiar e deixa seus riffs falarem por si só, fazendo o grupo crescer significativamente a cada ano que se passa, não só no Brasil, como no mundo.

O resultado dessa imerção do músico Rodrigo Neves no Tigersharks é o legado de uma banda que se destaca na cena como um dos grandes nomes e difusores dessa mistura musical que eles denominam stoner punk.

Conversamos com o guitarrista e vocalista sobre influências, processo de composição, sua relação com seu instrumento, planos futuros e outras curiosidades.

Você e os músicos que formam o tigersharks apresentam uma dinâmica incrível no palco. Como que funciona a parceria de vocês como músico e amigos dentro do projeto? E o que levou a vocês formarem essa banda com um som tão único e inovador?

Rodrigo: A gente é muito amigo e sempre foi desde o começo da banda. Nos conhecemos na faculdade e começamos a trocar ideia principalmente pelas camisas de bandas e logo surgiu a ideia de fazer um som juntos. A nossa dinâmica surgiu meio que naturalmente, a gente sempre curtiu tocar jams juntos e partir de um riff pra ver onde dava. O legal é que, mesmo tendo muita coisa em comum, cada um de nós curte coisas muito diferentes o que contribui muito pro som da tigersharks.

O nosso som também surgiu meio que naturalmente, quando começamos a banda era pra ser uma banda de hardcore punk, a gente tocava só covers de Black Flag, H2O, Stooges, Circle Jerks, até que começamos a criar músicas e testar algumas coisas diferentes. Aí surgiu a parada de misturar esse estilo de skate punk/ hardcore old school com um som mais stoner, carregado de fuzz e com riffs lentos e pesados, que formam o som da Tigersharks.

Dentro do cenário de rock, stoner e punk rock brasileiro, você costuma acompanhar bandas com trabalho autoral? E sobre as estrangeiras, alguma atual que tenha lhe chamado a atenção?

Rodrigo: Eu to sempre caçando bandas novas e curto muito quando descubro uma banda que ainda não conhecia, tem sempre banda nova surgindo e bandas que lançam material novo. Algumas que tenho ouvido recentemente são a Urutu ( heavy metal old school com uma pegada punk), Satan‘s a Woman (banda muito foda, que divide o batera com a tigersharks hahaha), Grindhouse Hotel (stoner da melhor qualidade), Sombrio (metal punk sinistro), Kill Baidek ( garage punk cheio de reverb) e a Quazimorto (Doidera Hc/stoner/rock instrumental).

Das gringas tem algumas que descobri recentemente como The shiners Club (HC 80 numa pegada Black Flag), THICK (pop punk/ garage), House Anxiety (Sludge/HC).

Que dica você daria a músicos brasileiros da cena, amadores ou profissionais, que tem medo de experimentar e inventar coisas novas em suas músicas?

Rodrigo: Tem muita gente fazendo a mesma coisa, na minha visão o legal é tentar fazer algo que seja autêntico pra ti mesmo. Mesmo tendo um certo som em mente, as vezes dá pra testar coisas diferentes que contribuem pro som e crescem a parada. Mistura referências, bota a cara e vai tocar! Hahaha

Qual modelo de guitarra, cordas e amplificadores você usa? Conta pra gente a relação de amor com seu instrumento.

Rodrigo: Com a Tigersharks eu uso uma Epiphone SG com um captador Dimarzio dp100, que me dá um som irado mesmo se tocar direto no amp. Eu amo essa guitarra, foi a segunda guita que comprei tocando com a tigersharks e eu tenho um carinho especial por ela. Tenho outras guitarras que gosto muito também, mas não consigo abandonar essa epiphone hahaha Pras cordas uso as 011-46, mas não tenho preferência por marca.

Além disso, normalmente toco com um big muff ou com um rat que eu tenho, mas as vezes toco direto no amp mesmo. Amplificador sempre curto muito tocar em Orange ou Marshall, mas tento sempre tirar p meu de qualquer amp, como minha guita tem um captador com bastante saída, consigo tirar um som massa de quase todos os amps.

Quais são as suas maiores influências musicais? Pra você qual é o maior guitarrista e vocalista de todos os tempos?

Rodrigo: Sem dúvida minha banda preferida é Black Sabbath e acho que são a minha maior influência. Além deles, algumas bandas que sempre me influenciaram são Black Flag, Melvins, Nirvana, Sleep, Ratos de Porão e a lista continua.

Como é difícil dizer um só vou fazer um Top 5, na guitarra: Tony iommi, Greg Ginn, Matt pike, Jimmy Bower e Jão. Nos vocais: Keith Morris, Henry Rollins, Frank Carter, Johnny Morrow e Kurt Cobain.

Como que você compõe suas linhas de guitarra e de voz? Como se da seu processo criativo?

Rodrigo: Eu sempre curti criar riffs, nunca fui o guitarrista que fica praticando horas e horas, mas curto muito ficar horas tocando um riff novo hahaha. Meu processo é muito em cima disso, normalmente crio um riff que eu curto e já gravo uma demo. E aí depois crio uma letra/melodia. As vezes acontece o contrário, surge uma melodia legal na cabeça e depois faço um riff pra acompanhar. As vezes eu chego num ensaio com um riff e a gente cria juntos uma música em cima, depois botamos uma letra. Não existe uma regra muito clara hahaha

Como a música surgiu em sua vida?

Rodrigo: Desde moleque sempre lembro de curtir música, lembro de ver uma vez na tv um clipe do Kiss, Rock n Roll All night e pirei, ficava desenhando os caras do kiss e guitarras e tudo mais. Depois comecei a fazer aulas de violão e logo parti pra guitarra. Ali pelos 10 anos de idade minha irmã me apresentou o rap, e comecei a ouvir muito rap, o que me levou também pro skate e através do skate descobri o punk/hc/etc aí na adolescência passei a tocar bateria mas nunca fui muito bom, mas a música sempre foi muito presente na minha vida, lembro de várias fases da minha adolescência através das coisas que tava ouvindo na época hahaha

Tem algum show na história do tigersharks que você ache que foi o melhor show? Algum em especial que sempre lembrará?

Rodrigo: Com a Tigersharks a gente já fez vários shows foda tocando com bandas que somos muito fãs e também em lugares irados, principalmente em Porto Alegre. Mas lembrando assim, ainda acho que o nosso primeiro show foi um que me marcou muito. Era meu primeiro show “sério“ e eu tava nervosão. A gente foi chamado pelo Villa (o pai do underground porto-alegrense hahaha) pra tocar junto com a Motor City Madness e com a Corona Kings. Foi muito do caralho, uma rapaziada que tinha ouvido nosso primeiro EP colou e o show foi muito irado, realmente rolou uma energia foda.

E também o garage sounds em Curitiba ano passado, que foi nosso primeiro show em festival grande assim e foi uma honra dividir o palco com tanta banda foda.

Novidades para 2020?

Rodrigo: Estamos planejando gravar nosso primeiro disco com a Tigersharks esse ano, o processo é mais complicado agora que moro em SP mas se tudo der certo antes do segundo semestre a gente já vai ter gravado tudo e lança ainda esse ano. Além disso, também estamos planejando um clipe e mais algumas coisinhas hahaha.

Fora da Tigersharks, eu to tocando em outro projeto aqui em SP com uns amigos, numa pegada mais Garage punk, mas tá bem no início ainda.

E também sigo fazendo minhas ilustras e começando uma marca de roupas que em breve estará nas ruas.

Equipe Collapse Agency

Flavio Neto, Rafael Neutral e Sylvia Sussekind.

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