• JP Carvalho

Funeral Serenade, a volta por cima.


A banda, que foi criada em 2019 por Luciano Siqueira – Bateria e Marck – Guitarra, dissidentes do seminal Sextrash, que por motivos alheios e contrários à sua vontade não puderam dar continuidade com o trabalho usando o nome de sua antiga banda, partiram para essa nova empreitada chamada Funeral Serenade.

Tivemos um bate papo com o baterista Luciano Siqueira e o resultado você confere a seguir.

Metal no Papel: Vamos começar falando um pouco do passado. O Sextrash encerrou suas atividades em 1997, após o falecimento do vocalista e fundador Oswald Scheid, naquele momento vocês acharam melhor optar pelo encerramento das atividades, mas retornaram em 2003, o que os motivou a essa volta?

Luciano Siqueira: Salve Hellbrothers do Metal no Papel! Sim em 1997, com falecimento do nosso irmão Osvaldo Pussy Ripper, encerramos as atividades da banda, na ocasião esse fato acabou com nossos sonhos, perder um irmão assim abalou todos da banda, perdemos nosso irmãozão. Em 2003 eu não participei do retorno da banda, eles gravaram o “Rape From Hell”, e ficou só nisso, eu retornei a banda em 2013, o de fizemos várias apresentações pelo país, começamos a esquentar a ideia do novo trabalho, mas na época, não havia empolgação dos membros atuais da banda, então ficou uma coisa meio que de lenda do Metal Nacional, com vários retornos, mas sem trabalhos novos.

Quem sabe eles se atentam para isso hoje e sigam com a banda, eu torço para isso acontecer, o Sextrash sempre foi minha vida, mas como em um casamento, esfriou, acabou, e não vejo possibilidade de um retorno meu no momento, mesmo porque agora estamos comprometidos até os dentes com Funeral Serenade.

MNP: Como você se sentiu sendo convidado para substituir DD Crazy, um músico que tinha se tornado referência no Heavy Metal e criador um estilo, que foi copiado a exaustão no mundo todo? De alguma forma ele serviu de influência na sua maneira de tocar?

Luciano: Cara, sempre me fizeram essa pergunta, eu como fã incondicional de Sarcófago, e do DD Crazy, me senti na lua nesse dia, pensei: eu vou entrar no lugar do meu ídolo no Sextrash! Foi um momento único na minha vida e na minha saga como baterista de Death Metal, mas aí fui para Belo Horizonte e conheci o Dudu (DD Crazy), nos tornamos muito amigos, sempre juntos nos rolês, ele sempre nos ensaios da banda, nós acompanhava em tudo, um cara humilde e louco (risos), e é a maior influência na bateria para mim! Lembro-me dele falando no dia do primeiro ensaio, quando entrei para banda: “Osvaldinho, esse eu deixo tocar no meu lugar, parecem asas de borboleta a metranca desse menino (risos). Cara, ouvir isso do cara que inventou a metranca! Para mim é inesquecível, e ainda de quebra me tornar um dos seus melhores amigos, sem palavras! DD Crazy rules!!!

MNP: A banda nasceu de uma recente ruptura do Sextrash, onde ambos os lados pleiteavam o uso do nome, qual foi o motivo desse desligamento?

Luciano: Esse desligamos foi meio inusitado, haviam muitas controvérsias e pensamentos diferentes em relação ao Sextrash! Eu em 2017, no meu retorno a banda, queria colocar a banda para ferver, eu e o Marck! Shows, trabalho novo, mas não havia a mesma proposta pelos outros caras! A banda já vinha a um tempo tentando ressurgir e eu consegui vários shows, tocamos em vários estados do Brasil, mas a nossa proposta esfriou, afinal, nem todos estavam na mesma empolgação, decidi abandonar a banda em janeiro de 2018, pelo desgaste, além de estar morando em Belo Horizonte, na ocasião, sem trabalho, longe da família em São Paulo, foi muito frustrante! Nessa época eu e o Marck conversamos e fomos alinhando alguns assuntos referentes, foram várias tentativas de retorno, mas como não sentimos o mesmo entusiasmo vindo dos demais membros, decidimos montar o Funeral Serenade.

MNP: E como vem sendo essa nova realidade como Funeral Serenade e como um trio?

Luciano: Está sendo uma experiência única em minha vida no Metal, eu e o Marck temos um entrosamento musical fantástico, criamos juntos o LP Funeral Serenade, e as composições fluem facilmente. Nossa proposta inicial era tocar o Funeral Serenade na íntegra ao vivo, mas como temos muita facilidade para compor e muito amor pelo que fazemos como banda, decidimos seguir nosso sonho e fazer um trabalho novo. Quando o Marcos ingressou na banda, o trio se mostrou forte e coeso, fortalecendo ainda mais a nossa proposta de ser uma banda e não um projeto.

MNP: E vocês optaram por seguir a mesma linha lírica e musical dos trabalhos anteriores ou agregarão novas influencias ao som?

Luciano: Na verdade, esse sempre foi o nosso caminho e gosto musical, Death Metal! Trabalhado e agressivo, certamente manteremos a linha do que fizemos no Funeral Serenade, já que o disco foi criado por nós e não haveria do por que mudarmos isso! Somos uma unidade e também temos os mesmos gostos musicais, sendo assim, nossos novos trabalhos seguirão nessa mesma linha, claro que um pouco mais amadurecido pelo decorrer dos anos.

MNP: Sendo vocês, músicos experientes e com um longo caminho percorrido, quais seriam as grandes diferenças entre o tempo do Sextrash e o atual no cenário da música pesada brasileira?

Luciano: Creio que isso é bem claro, na época não tínhamos recursos de ensaios ou instrumentos de qualidade, essas coisas! Hoje em dia, o cenário mundial do Metal mudou muito, a facilidade da WEB, do YouTube e de tantos outros meios de comunicação mudaram significativamente a forma de compor, a montagem de capas dos álbuns, fotos e tudo mais.

Ficou tudo mais viável, o que facilita na divulgação, nos contatos. Mas acho que perdeu a essência dos anos 80 e 90, não existem mais as cartas, as ligações caríssimas para o exterior, até as capas que eram pintadas como um quadro para depois fazerem o encarte, mudou. Acho que isso influenciou muito em como as bandas agem hoje em dia.

Por outro lado, muitas ramificações foram sendo criados no meio do Metal, e diversificando a escolha da galera, eu particularmente tenho meu pensamento nos anos 80 e 90, onde a música extrema era uma novidade e assim chamava mais a atenção dos ouvintes e amantes do Metal. Com o passar dos anos foram aparecendo os “Slipknot´s” da vida, não acho isso anormal, pois sempre foi assim, novidades chamam atenção, e sendo assim, nosso Metal extremo ficou nas mãos dos verdadeiros apreciadores do estilo.

MNP: Atualmente estamos vivendo uma situação adversa no nosso dia a dia, com isolamento social, encolhimento da economia, além de várias situações conflitantes, como isso afeta, na sua forma de ver, o trabalho das bandas ou a divulgação dos trabalhos que foram programados para serem lançados neste momento?

Luciano: Isso tudo que está acontecendo afetou o Metal como um todo, shows cancelados, nós mesmos temos uma data na Fofinho Rock Club em 23 de maio, mas provavelmente será adiada, ainda aguardaremos o começo do mês de maio, para ter certeza de como vai ficar tudo isso. Por outro lado, esse tempo em casa por causa do isolamento social, pode se tornar uma mão a mais na produção das bandas, meios para divulgação estão sendo feitos, lives nas redes sociais, produção de músicas. Acho válido aproveitar esse tempo e não se deixar pela maré e sim, nadar nessa onda. O Funeral Serenade está trabalhando no primeiro single, nosso debut song, que ficará pronto nos próximos dias. Não podemos nos acomodar com os fatos inusitados da vida.

MNP: O que podemos esperar desse novo single, existem planos concretos para a gravação de um álbum completo?

Luciano: Esse som, na minha opinião, está com nossa verdadeira essência, Death Metal brutal e trabalhado, com pitadas dos anos 90. Porém amadurecido como mencionei acima. Sim estamos nos programando para começar os trabalhos do álbum completo. Acredito que no primeiro semestre de 2021, se não acabar o mundo (risos), lançaremos nosso álbum! Estamos fazendo tudo com calma, para mantermos a fidelidade dos nossos trabalhos, os apreciadores e fãs da banda merecem todo nosso respeito e terão sempre, o melhor que podermos fazer para mostrar nossa identidade.

MNP: Muito obrigado pelo seu tempo nesta entrevista, o espaço agora é seu para suas considerações.

Luciano: Eu que agradeço demais a vc JP e ao Metal no Papel. Queria também aproveitar para agradecer aqui todos que nos acompanham e apreciam nosso trabalho, tanto no Sextrash, quanto agora, na Funeral Serenade, que veio para somar no que está acontecendo na atual cena do Metal nacional e mundial.

Nunca se vendam ou deixem que façam da sua banda uma modinha, Death Metal resiste e sempre resistirá no decorrer de qualquer momento negativo que possa vir. Hail Brutal Death Metal!!!

Formação:

Luciano Siqueira: Bateria

Marck: Guitarra

Marcos Júnior: Baixo e vocal

Contatos:

www.facebook.com/FuneralSerenade

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