• Maria Correia

Com representantes do emo, hardcore e metalcore, 2º dia do Oxigênio Festival foi o mais eclético


Texto: Guilherme Gões - @thegoes_

Redator da https://hedflow.com/ nos cedeu o texto gentilmente .

Foto: André Santos - @andresantos_mnp

Realização: Oxigênio Festival - @oxigeniofestival

Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia - @tedesco.com.midia


Com representantes do emo, hardcore e metalcore, 2º dia do Oxigênio Festival foi o mais eclético da festividade alternativa


O lineup do sábado foi o mais eclético do Oxigênio Festival 2022. No dia, o evento recebeu representantes do hardcore melódico (Impavid Colossus e R4VEL), metalcore (AXTY, Odeon e Gloria), emo mainstream (Di Ferrero e Pê Lanza) e outras bandas e artistas.


Como o próprio Guilherme Góes, deixou em aberto no último parágrafo do texto anterior que se refere ao primeiro dia do Oxigênio Festival, segue a segunda parte do texto o que fecha a nossa cobertura jornalística, referente ao festival ocorrido no Sábado.

Gostaríamos de deixar que toda a narrativa contida em ambos os textos pertence ao redator Guilherme que nos cedeu gentilmente sua visão, onde o mesmo estava credenciado pelo a HedFlow. Como estávamos necessitando de um repórter, encontramos o apoio necessário para realizarmos este feito.

Quem tiver o interesse que acompanhar os três dias do Fest, pela escrita do Guilherme deixarmos aqui o link (https://hedflow.com/) do site que ele esteve representando durante estes três dias de Oxigênio Festival.

Na sequência fique com a narrativa desse profissional e as fotos do André Santos;


De forma pontual, a casa abriu ao meio-dia, assim como informado previamente nas redes sociais do evento. Com o apoio da iluminação natural do belo dia ensolarado, os visitantes puderam conferir com mais facilidade certos aspectos do espaço, entre eles: o espaço kids próximo a entrada, o banner gigantesco do bar com a arte que enfeitou o cenário principal do espetáculo nas edições de 2018 e 2019 e a pista de mini-ramp da Vans ao lado do palco "Off the Wall". Além disso, foi possível assistir com maior visibilidade pousos e decolagens de aviões e helicóptero particulares na pista da escola de aviação civil do Aeroclube (algo que não fazia parte do Oxigênio Festival, mas que acabou se tornando uma "atração à parte'').


Diferentemente da sexta-feira, os shows ao vivo começaram no palco "Off the Wall", e as meninas da Fake Honey foram as responsáveis pelo pontapé inicial. A banda ainda não possui nenhum material completo, mas o single homônimo levou o público a se aproximar do palco e cantar junto às garotas. Para completar o repertório, vieram covers das canções "All the things you said", do duo russo T.a.t.u e "Heart-shaped box", do Nirvana. Fake Honey apresentou músicas divertidas e uma presença de palco cativante. Dessa forma, o trio promete entregar trabalhos interessantes em um futuro próximo.


Na sequência, Impavid Colossus começou os trabalhos no palco "Vans". O projeto, que foi formado durante a pandemia, conta com músicos experientes que já passaram por bandas como Rancore e Owl Company e apresenta um som técnico, com fortes influências de nomes como Strung Out, Atlas Losing Grip e Propagandhi. Assim sendo, o Impavid Colossus está "suprindo" a demanda do público que curte hardcore com bases fortemente trabalhadas, já que boa parte das bandas que exploravam esse tipo de som migraram para outros estilos. Contando com a participação do baterista Leto Ferreira, da do Gloria, a apresentação destacou, em sua maioria, faixas do excelente álbum "Prologue", lançado em 2021. A execução de "Hope" foi o momento que gerou maior participação do público, já que o single é conhecido nas redes sociais devido ao videoclipe na plataforma Youtube.


De volta ao cenário "Off the Wall", a galera pode cantar os maiores hits mundiais do punk rock com a banda Karaokillers - projeto que faz uma espécie de "Karaokê ao vivo". Durante 30 minutos, dezenas de pessoas subiram ao palco secundário do Oxigênio Festival para participar em covers do Blink 182, Paramore, The Interrupters, entre outros. Pê Lanza, ex-vocalista da Restart e atração do lineup, assumiu a voz em um cover de "Linoleum", do NOFX.

R4VEL mostrou um set repleto de novidades no palco "Vans". Acompanhados de uma esplêndida arte psicodélica exibida no telão de LED, o quinteto paulistano mandou logo de cara o elogiadíssimo single ‘Réfugio’, cuja letra idealizada pelo vocalista Eduardo Costa narra a sensível experiência de perder um ente querido. O grupo também apresentou ‘Pano Cinza’, outra faixa recém-lançada que fará parte do primeiro álbum completo da banda com o novo baixista Fabio Chexx. Infelizmente, o sol intenso afastou o público da pista, e muitos acabaram perdendo uma excelente apresentação.

É engraçado como algumas bandas caem no gosto do público logo de cara. Meu Funeral começou a tocar em 2018 e possui apenas alguns EPs e demos lançados. No entanto, o show do quarteto carioca foi um dos mais concorridos do sábado, causando a primeira aglomeração generalizada no espaço "Off The Wall". A apresentação começou com uma sonora de "I Gotta feeling à moda Frank Sinatra", com os integrantes se abraçando e dançando juntos no palco. Depois da "finíssima/irônica" introdução , a pista virou uma completa zona, com centenas de pessoas moshando, pulando e cantando alto as letras provocativas das canções "Eu tô meio podre", "Coisa de Satanás", "'94", e algumas outras. "Vocês não sabem o quanto estou feliz em poder cantar essa daqui e saber que agora a letra é uma realidade", comentou o vocalista Luquita antes de iniciar "Acabou, você não é mais presidente", faixa que já pode entrar na playlist "principais hits do punk rock nacional da segunda década do século XXI".

Com Thominhas na bateria e Pê Lanza nos vocais, os fãs da banda Restart tiveram a oportunidade de assistir uma "semi reunião" da boy band que dominou o cenário mainstream brasileiro no início da década passada. O show começou com recortes de entrevistas da Restart em talk shows. Ao término das sonoras, o rapaz e seus colegas subiram ao palco e mandaram "Tô vivão", mas logo o set foi prejudicado por uma sequência de falhas técnicas. Após a situação se normalizar, vieram hits antigos do "Colorful Rock" como, "Happy Rock Sunday" e "Menina estranha", além de "Saudades" e "Nosso lance" - músicas do projeto solo do artista. Em "Levo comigo", centenas de pessoas cantaram junto com o jovem vocalista, onde ficou nítido que muitos curtiam a Restart em 2010, mas não assumiam por medo de represálias. A apresentação solo de Pê Lanza foi um dos momentos mais importantes de todo o Oxigênio Festival 2022. No passado, ele e os demais membros da Restart foram vítimas de haterismo barato e comentários homofóbicos do público roqueiro conservador devido a estética colorida que exibiam. Inclusive, Pê Lanza chegou a ser atingido por uma pedra enquanto se apresentava em um festival. Desta vez, o músico cantou em um evento repleto de representantes do punk e hardcore, não sofreu nenhum tipo de discriminação e ainda foi aplaudido. Dessa forma, foi possível concluir que o público do rock amadureceu, e que atitudes homofóbicas, separatistas e preconceituosas já não possuem espaço no cenário musical (ou pelo menos são reprovadas pela grande maioria das pessoas).

Ao término do set do Pê Lanza, as falhas técnicas "escaparam" do palco "Vans" e foram atrapalhar o "bailão da Odeon" no cenário "Off The Wall". Segunda banda do Rio de Janeiro no palco alternativo do evento, os rapazes apresentaram um som metalcore pesado, com composições em inglês e uma curiosa estética "funk". O show começou com um "toque de 5 segundos" e um funk repleto de frases de cunho sexual. Porém, assim como aconteceu no show do ex-Restart, problemas técnicos atrapalharam as primeiras músicas. No entanto, os fãs do quarteto - provavelmente mais acostumados com a cena underground - não se incomodaram tanto com os ruídos de microfonia, e agitaram no moshpit enquanto o vocalista Marcelo Braga gritava as letras de "Morphine", "Plot Twist", "Playlove" e "Dream". Ao incluir elementos da cultura funk, os cariocas da Odeon conseguiram remodelar o metalcore. Certamente, uma das grandes revelações do dia.



Durante o show do Kamaitachi, os problemas técnicos deram uma trégua. Exibindo um figurino azul, que ia desde a tinta no cabelo ao sapato, o músico destacou algumas músicas que impulsionaram sua fama no site Youtube: entre elas: "O sol e a lua", "Morgana" e "Cabelos Arco-íris". Além dessas canções, a recém lançada "A sociedade dos nerds psicóticos" também marcou presença no set. Kamaitachi não era uma das atrações mais populares entre a galera do hardcore, e sua apresentação movimentou a parcela mais jovem do festival. No entanto, o jovem foi bem recebido.


Problemas no som atrapalharam os sets do cantor Pê Lanza e da banda carioca Odeon, porém, os shows prosseguiram normalmente. No entanto, as falhas simplesmente arruinaram a apresentação da banda paulistana de metalcore Gloria. Após a execução das faixas "Vai pagar caro por me conhecer" e "Voa", o microfone do vocalista/guitarrista Vini Rodrigues parou de funcionar, e o show precisou ser paralisado por mais de 10 minutos. Depois do retorno, só deu tempo destacar a inédita "Falso Messias" (mensagem direta ao ex-presidente, que ficou bem claro com a frase "Fora Bolsonaro" no telão de LED), a clássica "Anemia" e algumas outras faixas de "Renascido", álbum que celebrou 10 anos de lançamento no último mês de abril. "Essa aqui já faz 15 anos. Nossa, essa banda já ficando velha pra c*ralh*. A gente tá ficando igual ao Olho Seco e Invasores de Cérebro", assim Mi introduziu "Asas Fracas", um dos principais sucesso da carreira, enquanto conversava com Marcão, proprietário do clube Hangar 110. Como de costume, "Minha paz" fechou o set.


Di Ferrero foi outra figura popular dos anos 2000 presente no lineup do Oxigênio Festival. Acompanhado por integrantes da Cefa e da banda Cine, o antigo vocalista do NX Zero começou o show com "Só rezo", levando o público de volta ao longínquo ano de 2009. Depois, veio "Polarizado", faixa de sua carreira solo, cuja letra critica abertamente a ruptura política que dividiu milhares de família em nosso país nos últimos anos. Para a felicidade dos "emos velhos", não faltaram hits como "Razões e emoções", "Cedo ou tarde", "Daqui pra frente" e tantas outras músicas que consolidaram o emo no mainstream brasileiro. Além disso, covers improvisados de "As cores" e "Garota radical", do Cine, surgiram de forma aleatória no setlist. Já para agradar o público mais novo, Di mandou um cover "versão rock" de "A queda", da diva pop Gloria Groove.

Menores Atos, uma das bandas mais queridas do público emo e hardcore, fechou o palco "Off the Wall" no sábado. Apesar da participação de Kamaitachi em "Lúmen", música presente no último EP do grupo, lançado em junho deste ano, o show do trio carioca não contou com grandes novidades: setlist com faixas dos discos "Animalia" e "Lapso", Cyro entregando a voz a plateia em "Sobre cafés e você" e dobradinha com as canções "Sereno" e "Passional" fechando a apresentação. Porém, como sempre, foi lindo observar a reação do público berrando as letras angustiantes sobre de relacionamentos frustrados.

Coube ao quarteto Supercombo a responsabilidade de encerrar a segunda noite do Oxigênio Festival 2022. O trio pegou a plateia de surpresa na abertura do show com uma nova canção, e o vocalista Léo Ramos brincou ao final da música: "Ficaram perguntando o que foi isso, né? Essa é "Aos poucos" um single que iremos lançar em breve". Logo em seguida, Kamaitachi subiu ao palco para participar em "Sol da manhã". Depois, uma verdadeira sequência dos maiores sucessos de um dos grupos mais bem sucedidos da década de 2010 fez o público hardcore e alternativo cantar juntos. "Bonsai", "Amianto" e "Menina lagarto" até tiraram alguns suspiros do público. Porém, foi "Piloto automático", uma das maiores música da nossa geração, que levou todos ao delírio total.


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