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  • Foto do escritorMaria Correia

Gaerea e Warhammer animam público do Metal em pleno dia útil


Texto: Guilherme Gões - @thegoes_

Foto: André Santos - @andresantos_mnp

Realização: IDL Entertainment - @idlentertainment

Assessoria: KLF Productions - @klfshows Novembro foi um mês agitado para os headbangers de São Paulo. Ao longo das últimas quatro semanas, a maior metrópole brasileira recebeu shows de nomes importantes do gênero, entre eles: Behemoth, Arch Enemy, Epica, Mayhem, Helmet, I am Morbid, Ambush e While She Sleeps. Certamente, uma agenda digna de causar inveja aos roqueiros de Berlim, Oslo e Estocolmo!


Para fechar o mês com chave de ouro, a produtora KLF Shows apresentou, na última quarta-feira (30), uma gig musical com duas das bandas mais criativas da cena europeia: Warhammer, quinteto grego de Death Metal que conta com um saxofonista, e os portugueses da Gaerea, um dos grupos mais aclamados do Black Metal moderno. A abertura ficou por conta da horda local Carpatus. O evento aconteceu no Legends Music & Bar.


- Casa

O Legends Music & Bar, nova opção para o público Rock and roll da Vila Madalena, é um pub interessante que foi inaugurado no final de 2021, logo após a flexibilização de eventos presenciais. O local conta com boa iluminação, acústica agradável (para os padrões de casas de espetáculo underground), atendentes simpáticos e receptivos, bar com decoração chamativa e cardápio com centenas de opções de drinks e cervejas. Além de apresentações de bandas covers e shows de grupos musicais independentes, o "pico" também abriga espetáculos de Stand up Comedy. Em um ano de atividade, o bar já recebeu 100 músicos e artistas e mais de 11 mil clientes. Sem dúvidas, o espaço tem potencial para se tornar um "point" popular entre a galera do rock em um futuro próximo.

- Shows criativos e tracklist new metal marcam a gig

Por volta das 18h, a Rua Inácio Pereira da Rocha começou a receber os headbangers. Logo de cara, foi possível notar que Gaerea e Warhammer são bandas que agradam diferentes tipos de seguidores de música extrema: na fila da bilheteria, fãs destacavam camisetas e hoodies dos mais variados grupos de Heavy Metal e Rock, como Harakiri for the sky (Black Metal moderno), Between the buried and me (Prog-metal), Sarcofágo (Death Metal old-school) e até mesmo E a terra nunca me pareceu tão distante (rock atmosférico da gravadora Balaclava Records).

Com mais de uma hora de atraso em relação ao horário oficial, o clube foi aberto ao público perto das 19h30. Dentro da casa, uma tracklist nada compartilhável com as atrações principais animou os primeiros fãs. Durante 30 minutos, o DJ colocou para tocar alguns dos principais hits do New Metal 00s, entre eles: "Papercut" (Linkin Park), "Rollin'" (Limp Bizkit) e "Duality" (Slipknot).

Perto das 20h, o trio Carpatus subiu ao palco. Apesar de aparentar ser uma banda relativamente nova, a horda possui mais de 20 anos de estrada e 4 discos full length lançados. O show contou com uma decoração simples, com apenas uma bandeira com o logo do grupo no bumbo enfeitando o cenário. Além disso, o baterista permaneceu encapuzado durante toda a apresentação. Apesar da interação quase nula do vocalista Dizruptor, a horda animou bem o público com seu Black Metal marcado por riffs simples e passagens precisas com pedais duplos.

Ao término da apresentação da horda paulistana, os fãs voltaram a circular novamente pela casa ao som de mais clássicos do New Metal, como "Last Resort" (Papa Roach), "Tears don't fall" (Bullfet for my valentine) e "One Step Closer" (Linkin Park). Dessa vez, a galera mais radical começou a reclamar, bravejando comentários do tipo "Isso aqui é um show de Black Metal, porr*! Tira logo esse Linkin Park!".

Às 21h15, os gregos da Warhammer iniciaram o show com a intro "Retrieval, e seguiram sem pausas com "Collateral Damage", "Aftermath" e "Dissociated", Infelizmente, nas primeiras músicas, o som do saxofone ficou praticamente inaudível em meio aos blast beats e riffs "microafinados". Em seguida, veio o single "Fiamma", do álbum “Ashes and Cinders”, que conta com um videoclipe lançado no mês passado. Ainda destacando o último registro oficial, os rapazes mandaram "Crack To Oblive", "Lingering Shade" e "Sightless forms". Hercules Giotis, vocalista do grupo, também não articulou grandes diálogos, mas motivou a galera a bater cabeça e iniciar um moshpit. Em um momento de simpatia, comentou: "São Paulo, vocês estão incrivelmente lindos nesta noite". Para agradar os seus seguidores, mandou "Seven Billion Slaves", música do Human Serpent, banda que costumava liderar em meados da década passada. Próximo ao término do set, os gregos mandaram uma dobradinha com a intro "Tightrope" e "Quandary". Nesta ocasião, o som do saxofone conseguiu se sobressair um pouco mais. Warhammer dedicou o set praticamente ao álbum “Ashes and Cinders".

Assim sendo, o show decepcionou um pouco os fãs que queriam ouvir algumas faixas Thrash da era "At the Threshold of Eternity". Além disso, o saxofonista Thanos Zarkalis se destacou em pouquíssimos momentos do show. Não obstante, a banda fez uma grande apresentação ao exibir uma das propostas mais ousadas da cena atual.

Na sequência, a tracklist foi ajustada com Heavy Metal tradicional, e os presentes puderam curtir faixas como "Paranoid" (Black Sabbath) e "I Want Out" (Helloween) enquanto aguardavam a montagem do palco.

Depois da mudança no cenário, os portugueses encapuzados do Gaerea começaram o último set da noite. A execução das duas primeiras músicas - "Deluge" e o single "Salve" - aconteceu normalmente. No entanto, de forma repentina, uma briga entre dois membros da plateia eclodiu na pista, chegando a mobilizar os seguranças da casa, assim tirando o clima pacifico que dominava o Legends Music & Bar.


O show não foi interrompido, e os donos da noite seguiram mandando um bloco com canções dos discos "Unsettling Whispers" e "Limbo", entre elas: "Null", "Absent" e "Cycle of Decay".O quinteto fez uma apresentação explosiva, com todos os integrantes entregando o máximo de si em seus respectivos instrumentos, correndo pelo pequeno palco e solicitando o máximo de engajamento dos fãs. Já o vocalista Gaerea (sim, o cantor gosta de ser chamado pelo nome do grupo que comanda) quebrou todos os paradigmas do Black Metal. Geralmente, os frontmans do estilo apresentam uma performance contida e praticamente imóvel. No entanto, Gaerea fez danças "epilépticas", se apoiou nos retornos do palco, gritou "São Paulo" centenas de vezes (e, por mais inexplicável que pareça, foi respondido com urros da plateia em todas as ocasiões) e até chegou a dividir brevemente o microfone com o pessoal que estava próximo ao palco. Surpreendentemente, as faixas de "Mirage", primeiro lançamento dos "tugas" pela famosa gravadora Season of Mist, não tomaram muito espaço no repertório. Porém, "Laude" foi a escolhida para finalizar a apresentação.

Gaerea e Warhammer são bandas que estão inovando o metal. Na última quarta-feira, os rapazes de ambos os grupos mostraram que novas influências, estilos de performance e até instrumentos podem ser incorporados à música extrema. Quem compareceu à gig das bandas europeias pode conferir em primeira mão o futuro do estilo musical mais verdadeiro de todos.




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