top of page
  • Foto do escritorMaria Correia

Persefone representa metal alternativo andorrano no palco do Manifesto Club


Texto: Guilherme Góes - @thegoes_

(Repórter credenciado pelo Heavy Metal On Line e nos cedeu o texto gentilmente )

Fotos: Anderson Hildebrando - @andersonh_fotografia

Realização: Dark Dimensions - @darkdimensionsbrazil

Press: JZ Press - @jzpressassessoria

É notável o aumento da presença de bandas que exploram sonoridades alternativas do heavy metal e decidem excursionar pelo Brasil, evidenciando a força do movimento musical em nosso país. Durante o feriado de carnaval, os finlandeses do Swallow The Sun trouxeram seu icônico doom metal, que é caracterizado pela fusão de vocais limpos e urros guturais, ao palco da Fabrique Club. Já no último final de semana, a banda sueca Enforcer apresentou a inusitada combinação de batidas e riffs speed/metal com vocais hard rock no Hangar 110. Dando continuidade à série de shows de grupos de metal alternativo e começando o mês de março com o pé direito, o Manifesto Bar - conhecido como o "templo do rock paulistano" - sediou a apresentação de estreia da banda andorrana Persefone em território nacional, com a abertura do evento a cargo do The Seer, uma das principais revelações da cena metal paulistana. Recentemente, o grupo lançou "The Answer", segundo álbum completo da carreira, e segue em atividade divulgando o trabalho. Oriunda de Andorra, pequeno país situado entre a França e Espanha cuja população total é inferior a dezenas de bairros paulistanos (menos de 80.000 habitantes), Persefone é o principal representante do metal da micronação europeia. Formada em 2000, a banda é conhecida pela habilidade técnica de suas composições, que combina elementos do death metal melódico, metal progressivo, synth music e até mesmo jazz, criando uma experiência auditiva verdadeiramente única. Ao longo das últimas duas décadas, o grupo lançou vários álbuns de estúdio aclamados pela crítica, incluindo "Truth Inside the Shades" (2004), "Core" (2006), "Shin-Ken" (2009), "Spiritual Migration" (2013) e "Aathma" (2017). Com alguns minutos de atraso em relação ao horário oficial, o Manifesto abriu as portas ao público geral por volta das 19h20. Como de costume, uma discotecagem interna aqueceu o público. Já aqueles que não estavam interessados na tracklist puderam circular pelo clube e conferir algumas das "atrações alternativas" que enfeitam as paredes da casa, como fotografias e itens de algumas das principais lendas do rock mundial que já estiveram no local, entre elas: Dave Mustaine (Megadeth), Lemmy Kilmister (Motorhead), Klaus Meine e (Scorpions).

Às 20h10, The Seer iniciou a primeira apresentação da noite. Após uma breve introdução instrumental, os rapazes seguiram com "Alone", um dos singles mais aclamados do grupo paulista, que inclusive possui um videoclipe na plataforma Youtube. Na sequência, veio "Mother", música que ajudou a banda a ganhar certa repercussão no cenário mainstream devido a exibição de seu videoclipe na emissora Record e Portal R7. Além disso, o single "Nothing" completou a dobradinha de canções do álbum "The Answer". Ao término do bloco, o vocalista Lucas Povinha anunciou que a banda iria captar imagens para o futuro videoclipe do single "Ego", e solicitou a participação dos presentes. A faixa inédita, marcada por riffs agressivos e vocais groove metal, rapidamente conquistou a plateia, resultando em um intenso bate-cabeça coletivo.

A apresentação da The Seer foi marcada pela habilidade técnica dos músicos que compõem a sua formação. Não há dúvida de que o grupo conquistou novos fãs que aguardarão ansiosamente pelos próximos passos da banda. Após uma breve pausa para troca de instrumentos e mudanças da decoração do cenário, Toni Mestre Coy (baixo), Carlos Lozano (guitarra), Miguel Espinosa (teclados), Sergi Verdeguer (baterista) e Filipe Baldaia (guitarrista) subiram ao lendário palco do Manifesto e iniciaram o show com uma introdução instrumental. Em seguida, o vocalista Marc Martins Pia apareceu para complementar a dobradinha com "Flying Sea Dragons" e "Mind As Universe", belíssimas faixas marcadas pela composição de breakdowns viscerais, vocais limpos e gritos rasgados. Depois de algumas palavras de agradecimento, a banda deu continuidade ao show com a música "Stillness Is Timeless". Nesta ocasião, a harmonia entre os arpejos e os teclados foi notável, mas infelizmente as batidas grind se sobrepuseram aos vocais limpos de Miguel Espinosa, prejudicando a experiência geral da música. Logo em seguida, a banda mandou "Prison Skin", um de seus maiores sucessos, o que gerou um intenso "bate-cabeça" entre o público.

Após o momento de catarse coletiva, Marc pediu aos fãs que ligassem as luzes de seus celulares em "Merkabah", criando um momento de beleza estética ímpar na noite. Ao contrário do público dos gêneros hardcore, thrash metal e metalcore, os seguidores do prog metal tendem a expressar suas emoções apenas balançando a cabeça freneticamente, em vez de iniciar moshpits. No entanto, com alguma insistência do vocalista, os fãs começaram um circle pit durante a apresentação de "Great Reality". A partir desse "empurrãozinho inicial", a galera seguiu empolgada com no mosh durante o segundo bloco, que incluiu as músicas "Spiritual Migration", "Cosmic Walkers" e "Living Waves". Aqueles que esperavam uma postura explosiva do vocalista Marc no palco do Manifesto foram surpreendidos. Diferente das apresentações em festivais europeus, em que o cantor costuma correr e pular pelo cenário, exibindo sua tatuagem com a frase "Death Before Dishonor" no abdômen, o líder do Peserfone espantou ao vestir uma camiseta manga longa preta e permanecer parado em seu canto no palco na maior parte do show, guiando o público e protagonizando bate-cabeças em momentos pontuais. Foi somente próximo ao encerramento do set, durante a execução das faixas "Athma PT.3" e "Athma PT.4", que o frontman exibiu um pouco de sua "performance tradicional" explosiva e imprevisível ao se juntar aos admiradores na pista e dividir o microfone com eles. Surpreendentemente, até mesmo os guitarristas Carlos e Filipe e o baixista Toni se juntaram ao mosh pit no final da apresentação, mostrando que não há diferença entre público e plateia no heavy metal underground. Após um breve intervalo, os rapazes retornaram ao cenário, e, para felicidade dos fãs, fecharam o set com chave de ouro falo: de "Majestic of Gaia" , faixa com quase nove minutos de duração.

Peserfone entregou uma apresentação cativante e memorável, que acabou envolvendo a plateia do início ao fim. Desde a abertura até o encerramento, a banda demonstrou uma técnica excepcional e habilidade musical incrível em cada música tocada. Além disso, foi impressionante perceber que, mesmo sendo uma banda de uma nação relativamente desconhecida e exótica, os rapazes ainda conseguiram reunir um público relativamente expressivo, destacando a diversidade e a força do movimento do metal no Brasil. Certamente, a nossa cena musical é extremamente inclusiva, capaz de proporcionar espaço para bandas de diferentes nações e gêneros musicais. Felizmente, uma pequena parcela da população brasileira é capaz de reconhecer música de qualidade e admirá-la sem preconceitos. Setlist - The Seer - Alone; - Mother; - Nothing; - Ego; - The Answer.

Setlist - Peserfone

Intro;

Flying Sea Dragons;

Mind As Universe;

Stillness is Timeless;

Prison Skin;

Merkabah;

Great Reality;

Spiritual Migration;

Cosmic Walkers;

Living Waves;

Metanoia;

Katabasis;

The Majestic of Gaia;

Fall To Rise;

Athma Pt.3;

Athma Pt.4;

Majestic of Gaia.


Comentários


bottom of page