• Maria Correia

Punk Rock tradicional marca primeira noite do Oxigênio Festival 2022


Texto: Guilherme Gões - @thegoes_

Redator da https://hedflow.com/ nos cedeu o texto gentilmente .

Foto: André Santos - @andresantos_mnp

Realização: Oxigênio Festival - @oxigeniofestival Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia - @tedesco.com.midia


Após 3 anos desde sua última edição, evento voltou a cena em novo local e com lineup poderoso. Doyle e outros representante do punk rock raiz marcaram a primeira noite do espetáculo de música independente

Evento queridinho do público alternativo, o Oxigênio Festival retornou a cidade de São Paulo no último final de semana após mais de 3 anos desde sua última edição - hiato ocasionado pela pandemia de Covid-19. Em três dias de música (18,19 e 20), mais de 30 bandas se apresentaram nos palcos "Vans" e "Off the Wall". Desta vez, o local escolhido para sediar a festividade foi o Aeroclube Campo de Marte, assim "destronando" o posto da Via Matarazzo, casa que abrigou as três últimas versões do espetáculo.

A marca é referência em representar o punk rock, metal e hardcore, assim sendo, os nomes de maior peso no casting vieram desses segmentos musicais, entre eles: Doyle, membro da formação clássica da banda de horror-punk Misfits; Helmet, aclamado quarteto de metal alternativo liderado pelo guitarrista Page Hamilton; CPM 22, grupo que dominou o cenário mainstream brasileiro em meados dos anos 2000 e os mineiros da Pense, um dos principais nomes da cena rock atual. Porém, representantes de outros estilos musicais também participaram da festa, como Pê Lanza, Di Ferrero, Meu Funeral, Kamaitachi, Der Baum, entre tantos outros.

- Histórico

Oxigênio Festival começou em 2006, e sua primeira edição contou com a presença da banda The Draft (projeto paralelo de membros do Hot Water Music) e outros grupos populares da cena nacional de hardcore melódico, como Dance Of Days, Houdini e Hateen. Depois, com o apoio da marca estadunidense de vestuário Vans, o evento retornou à cena em 2015, de forma modesta, no Carioca Club - famosa casa de médio porte da capital paulista.

A partir de sua quarta edição, em 2017, o evento começou a rolar na Via Matarazzo, espaço que contava com uma área ampla, o que possibilitou a instalação de dois palcos, lineup com mais de 20 bandas e estandes com atrações interativas. Desde então, a marca se tornou referência de qualidade e inovação na cena independente, sempre com ingressos esgotados na maioria das datas. Em 2019, o Oxigênio Festival inovou novamente ao apresentar um casting com nomes do rock pesado como Ratos de Porão, Cólera e Bayside Kings em conjunto com grupos de segmentos variados, como Braza, Terra Celta, Francisco El Hombre e Big Up. Ao todo, mais de 100 bandas e artistas já se apresentaram no festival.

- A noite do Punk

Na sexta-feira, primeira data do evento, o line up foi destinado ao punk rock tradicional. Além de Doyle, headliner e atração internacional da festa, importantes nomes do cenário brasileiro também participaram, entre eles: Os Excluídos, Corazones Muertos, Zumbis do espaço e Carbona.


Por volta das 18h, pequenos grupos de pessoas com camisetas pretas já circulavam pelas ruas próximas a estação de metrô "Portuguesa-Tietê" em direção ao Aeroclube Campo de Marte. Esse foi um dos pontos negativos da edição deste ano: o difícil acesso ao clube para quem vinha de transporte público. Para chegar ao local, saindo da estação mais próxima, os fãs precisaram caminhar por aproximadamente 20 minutos por vias de baixa iluminação, e também precisaram passar por uma passarela conhecida pela constante ocorrência de assaltos. Felizmente, nenhum contratempo foi relatado até agora.


Os portões foram liberados ao público e profissionais de imprensa por volta das 20h10, com mais de 1 hora de atraso em relação ao horário oficial. Em seguida, os primeiros presentes puderam acompanhar o set do DJ Thiago (Rádio 89fm) e conferir atividades interativas nos estandes das marcas patrocinadoras. O espaço da bebida energética Monster Energy contou com videogames Sony Playstation 4 rodando o jogo "Tony Hawk's Pro Skater 1 + 2". O cenário da Vans contou com uma exposição sobre a história da marca, oficina criativa para a personalização de tênis e ecobags e uma cabine fotográfica, onde os fãs podiam "simular" um stage dive se jogando em uma piscina com blocos de esponja. Já no local da Instax Fuji Film, a galera pode tirar uma foto polaroide com o banner do Oxigênio Festival servindo como plano de fundo.

"O nome do negócio é Oxigênio, e durante a pandemia, muitos de nós perdemos familiares com falta de ar. Finalmente, o desgraçado caiu, e eu espero que o Oxigênio Festival seja apenas o primeiro sopro de ar que a gente tanto precisava", foi assim que Ronaldo Lopes, vocalista e guitarrista d'Os Excluídos introduziu o primeiro show de música ao vivo da sexta-feira. Sob a decoração de um punk com um jaqueta rabiscada (capa do último disco) no telão de LED, os rapazes iniciaram o set com o single "Não passarão jamais", e seguiram destacando mais músicas do álbum 'Filhos da desilusão", terceiro trabalho completo do grupo, lançado em março deste ano, como "Anarquista muda o mundo" e "É por isso que o punk não morre", que contam com refrãos catchies, capazes de dominar para as principais rádios de rock do país. Para a alegria dos seguidores mais antigos, "KM 77" também apareceu no repertório. Em "Eu não quero", os integrantes se aproximaram da grade de proteção e fizeram a famosa "dancinha" com os instrumentos, gerando um dos momentos mais legais da apresentação.

Corazones Muertos inaugurou o palco "Off the Wall" no Oxigênio Festival 2022. Liderado pelo argentino Joe Klenner (figuraça que já participou da lendária banda argentina Gatos Sucios), o grupo exibiu sonoridade e estética voltada ao hard rock.

Zumbis do espaço é uma "criação" do Misfits. O grupo formado em 1996, na cidade de Taubaté, foi fortemente influenciado pela temática dos punks estadunidenses, além de serem os pioneiros nacionais em composições agressivas com letras inspiradas em filmes de terror. Assim sendo, a iniciativa da produção em colocar a banda para abrir o show do Doyle no palco "Vans" foi certeira. Sem muita conversa, Tor e companhia mandaram uma "chuva" com as faixas queridas dos fãs, entre elas: "Vampira", "A Marca Dos 3 Noves Invertidos" e "Sua última oração". O vocalista animou o público simulando socos no ar, pediu gritos nos famosos coros que preenchem os refrãos das canções da banda e entregou o pedestal do microfone aos fãs, assim permitindo que a plateia tivesse maior protagonismo no show. Em "O mal nunca morre", última música do set, Tor foi a grade e dividiu o microfone com o público, gerando um dos momentos mais bonitos da noite.

Comemorando 25 anos de carreira, a banda carioca Carbona foi a escolhida para fechar o palco "Off the Wall" na sexta-feira. Apesar do set ter contado com faixas importantes como "Fliperama" e "O mundo era bem mais legal", o trio fez uma apresentação corrida, executando as canções de forma muito rápida, o que atrapalhou um pouco a experiência geral do show.

Alguns minutos após as 23h, Doyle e seus companheiros de banda subiram ao palco "Vans" para encerrar a noite punk do Oxigênio Festival. O show começou com um solo de bateria. Em seguida, o vocalista Alex Story apareceu correndo pelo palco, com Doyle acompanhando-o na sequência e iniciando o set com "Abominator". Esmurrando sua guitarra de forma violenta (chegando a causar a impressão de que estava utilizando playback), o "Misfits" impressionou os presentes com sua performance inusitada e seu porte físico musculoso e milimetricamente simétrico. Já o vocalista Andy Story conquistou aplausos do público com sua postura insana em faixas como "Cemeterysexxx" e "Run for your life", lembrando um pouco as performances de Henry Rollins durante os primeiros anos do Black Flag. No entanto, para a tristeza de muitos fãs, a apresentação não contou com nenhum cover do Misfits. Infelizmente, devido aos atrasos que rolaram durante o evento, uma parcela relevante do público (em sua maioria dependentes do transporte público) começou a deixar o local, assim perdendo a atração internacional da noite.

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