• Maria Correia

Virginie, do Metrô, lança single em prol de povos indígenas brasileiros


Abya Yala, escrita nas línguas portuguesa e Puri, é fruto de parceria inédita entre a cantora e a historiadora Aline Rochedo Pachamama

A cantora Virginie Boutaud, que fez sucesso a frente do “Metrô” com os hits “Beat Acelerado”, “Ti ti ti”, “Sândalo de Dândi” e outros, e lançará no dia 26de fevereiro, na plataforma Bandcamp, o single “Abya Yala” (terra em florescimento, que pulsa).


A música, escrita e interpretada nos idiomas Puri e português, é uma parceria entre a cantora Virginie e a historiadora, escritora e ilustradora Aline Rochedo Pachamama, indígena do povo Puri.


“Abya Yala” foi composta em reparação histórica elinguística do povo Puri, da Serra da Mantiqueira, em homenagem e benefício dos povos indígenas. O valor arrecadado com a música será revertido ao Projeto Inhã Uchô, destinado à reparação histórica do Povo Puri da Serra da Mantiqueira.


Eume sinto um pouco aliviada e feliz em dar a palavra às pessoas que não têm voz e ajudar a Aline e os povos originários nesse sentido. Eu entendi o quanto é importante nós não falarmos no lugar das outras pessoas, mas ouvirmos o que elas têm a dizer. Pessoalmente, me dá um certo alívio porque é muito duro e doloroso ver as coisas acontecerem sem poder agir de alguma maneira”, afirma Virginie.


“Então, sou muito grata por Aline ter aparecido nessa minha procura e me honrado com esta parceria, que a inspiração para essa música tenha chegado, que eu tenha achado os parceiros que me ajudem a finalizá-la e que agora esteja sendo lançada após muito tempo de procura e reflexão de qual seria a melhor maneira para essa música cumprir a sua missão. É uma música-missão! Fico muito feliz que o primeiro single solo que eu faço de uma composição pessoal, seja militante : Se temos algum poder de fazer algo para que o mundo seja como sonhamos, não podemos desperdiça-lo”, completa.


O primeiro contato entre as duas ocorreu alguns anos atrás, através do Facebook, por iniciativa da Aline. Na época, ela iniciava uma tese sobre “O lugar das mulheres no rock dos anos 80” e solicitou à Virginie que respondesse algumas perguntas.


Eutinha chegado há pouco tempo aqui [na França] e achei ótimo poder contribuir com uma estudante. Ela me enviou perguntas que me obrigaram a fazer muitas reflexões. A Aline é uma pessoa admirável. Ela está trabalhando muito para a restauração, recuperação e consolidação da cultura do seu povo, os Puri da Serra da Mantiqueira. Tenho acompanhado esse trabalho há anos”, conta Virginie.


“Quando fiz a melodia no Bandcamp eu pensei que seria maravilhoso que essa canção, inspirada na causa indígena, tivesse a letra em uma das línguas dos povos originários do Brasil. Eu perguntei à Aline se ela toparia escrever essa letra e ela concordou.”


Além de compor a música, Aline também a interpreta. Sua parte foi gravada no Rio de Janeiro, pouco antes da mudança para a Serra da Mantiqueira. Ruben Jacobina, letrista de “A Vida é Bela” (lançada como single na volta da banda Metrô), deu vida às coleções de sons captados por Virginie em florestas da França, assim como em suas coleções pessoais.


“Rubinho fez uma colagem sonora muito rica. Trocamos ideias com Aline sempre atentos ao que ela sentia com a canção, que tinha originalmente sonoridades eletrônicas. Ela se sentiu mais à vontade com os arranjos acústicos feitos com a banda com quem toco em Toulouse, a ‘Moqueca Vegana’. Rubinho finalizou a música atento a estes pedidos com muita generosidade, e chegamos a um equilíbrio bem interessante”, relata Virginie.


Ficha técnica Abya Yala

Composição de Virginie Boutaud com letra de Aline Rochedo Pachamama

Virginie Boutaud: produção-executiva, coprodução, gravação e programação,captação, voz e vocais

Aline Rochedo Pachamama: Maracá, voz e vocais

Kélia Dambes Ducassé: vocais

Ruben Jacobina: produção, violão, programação de percussão, sintetizador, colagens sonoras, pesquisas, mixagem e masterização

Daniel Roland: percussão

Thiago Queiroz: flauta

Bio

Virginie Adèle Lydie Boutaud nasceu em São Paulo, em 27 de fevereiro de 1963. Filha de imigrantes franceses, estudou desde os dois anos e meio no Lycée Pasteur, colégio franco-brasileiro de São Paulo.


Aos 13, foi contratada pela TV Cultura para participar do programa “Oum le Dauphin”, escola de francês para crianças. Nesta época, sua turma de amigos também contava com Alec Haiat, Yann Laouenan, Daniel "Dany" Roland, Yann Laouenan e Xavier Leblanc. Seu maior passatempo era cantar e tocar violão.


Virginie gravou comerciais (Basf, Guaraná Taí, Gourmet, Coconut, Nestlé, sorvetes kibon, Shell, Bic, Hering...) e fez fotos em editoriais de moda e capas de revistas como Vogue, Claudia e Interview.


Em 1979, integrou com seus amigos a banda de rock progressivo/experimental “A Gota Suspensa”. Antes de focalizarem sua carreira musical, Virginie experimentou a vida de atriz. Foi Irma, na novela Os Imigrantes (1981), ano em que terminou o colégio.


Em 1984, depois de lançarem o álbum “A Gota Suspensa”, os cinco amigos continuaram seguindo uma direção musical mais pop e acessível, inspirada por Rita Lee, Blondie e Laurie Anderson, entre outros.


A banda “Metrô” nasceu com a assinatura de um contrato com a CBS. O primeiro lançamento foi o single “Beat Acelerado”, seguido por “Sândalo de Dandi”.


Em fevereiro de 1985, foi lançado o primeiro álbum do “Metrô”, “Olhar”, que colecionou sucessos como “Tudo Pode Mudar”, “Johnny Love”, “Ti ti ti”.


A banda ganhou fama e as estradas brasileiras. Divergências e ritmo de vida incessante causaram o fim do grupo. Ficaram as lembranças.


Virginie teve a oportunidade de participar com o “Metrô” do filme “Areias Escaldantes” (1985), de Francisco de Paula e estrelado por Regina Casé, Luis Fernando Guimarães, Diogo Vilela e Cristina Achê. O longa também trouxe a participação de Lobão, Ultraje a Rigor e Titãs.


Em 1985, participou do filme de Lael Rodrigues, “Rock Estrela”, contracenando com Léo Jaime em uma encenação marcante de “Johnny Love”. Dez anos depois, fez uma curta aparição contracenando com Marcos Nanini no filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, de Carla Camurati.


Em 1988, nasceu o projeto “Virginie & Fruto Proibido” junto a Don Beto (guitarra), Nilton Leonardi (baixo) e Albino Infantozzi (bateria). O álbum “Crime Perfeito” saiu pela Epic no mesmo ano.


A canção "Más Companhias" foi incluída na trilha sonora da novela “Fera Radical” (1988). Neste disco, Virginie cantou “Que tal o impossível" de Itamar Assunção e também assinou parcerias com Don Beto e Philippe Kadosch.


Algum tempo depois, Virginie resolveu deixar de lado a carreira musical e foi trabalhar no Consulado da França, em São Paulo. Lá, conheceu o diplomata francês Jean-Michel Manent, seu futuro marido, com quem teve a primeira de suas duas filhas, antes de passar a viver com a família fora do Brasil.


Em 1988, Virginie protagonizou a Campanha Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde, ao lado de Zé Gotinha


Em 1989, fez uma participação especial no último álbum do cantor gaúcho Joe Euthanazia, intitulado “Joe”, nas faixas "Ligação Direta" e "Uma Rajada de Balas".


No mesmo ano, participou no primeiro álbum solo de Supla, na canção "Borboleta Rosa". Também cantou “O Vira”, uma de suas canções fetiche, sucesso dos “Secos e Molhados” com produção de Ronnie Foster, no álbum deJairzinho e Simony.


Também cantou com João Penca e seus Miquinhos Amestrados a faixa “Sem Ilusões” do álbum “Além da Alienação”.


Ao lado de Kid Vinil e os Heróis do Brasil, cantou “Assassinato Anônimo”.


Em 2002, Virginie reativou o Metrô junto a Dany e Yann. O álbum “Déjà Vu”, o primeiro desde 1985 , incluiu releituras de “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso, “Rapaz da Moda” de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, sucesso na voz de Jair Rodrigues, e também “Johnny Love”, “Sândalo de Dândi” e “Beat Acelerado”.


Em 2004 Virginie, Dany, André Fonseca e Donatinho fizeram uma série de shows “déjà vu” pelo Brasil, França, Moçambique e Portugal. Em Lisboa, participaram de um álbum tributo a Amália Rodrigues com a música “Meu Amor, Meu Amor (Meu Limão de Amargura)”.


Em 1999, Virginie se casou em Windhoek (Namíbia), com Jean-Michel Manent, com quem já tinha duas filhas: Marie-Hélène e Mélanie. De lá, seguiu com a família para Nantes (França), Moçambique, Uruguai e Madagáscar.


Sempre envolvida em trabalho voluntário ligado à educação e crianças carentes, continuou com a vida nômade até se estabelecer em Toulouse, na França em 2012. O marido faleceu em 2015, de câncer.


Em 8 de novembro de 2014, a formação original do Metrô reuniu-se em São Paulo em um show para celebrar o 50º aniversário do colégio onde se conheceram, o Lycée Pasteur - também era o 30º aniversário da banda.


Desde então, o Metrô lançou os singles “Dando Voltas no Mundo” e "A Vida é Bela Laia laia" etrabalhou em composições e parcerias com Guilherme Arantes e Ruben Jacobina, entre outros, uma reedição especial de 30 anos de seu primeiro álbum, “Olhar” em digipack, CD duplo foi lançada em 2016, com as gravações originais remasterizadas e gravações ao vivo em shows pelo Brasil, na turnê de 1985.


Em 2020, Virginie assinou parcerias nas composições lançadas por Ira! "Efeito Dominó" com Edgard Scandurra, Fernanda Takai " O Amor em Tempos de Cólera" e Daniel Zé, a francesa "Obabao". Também lançou com Edgard Scandurra a canção " Le Déserteur", em comemoração ao centenário de nascimento de Boris Vian.


AlineRochedo Pachamama é historiadora, escritora e ilustradora. Doutora em História Cultural pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e mestre em História Social pela UFF (Universidade Federal Fluminense).


Idealizadora da Pachamama Editora, formada por mulheres, é atuante nos movimentos dos Povos Originários, elabora e executa ações em prol da valorização e preservação de suas diversas línguas, bem como a divulgação de suas Culturas.


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Fonte: Adriana Baldin (Assessoria de imprensa)