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  • Foto do escritorCarlos Ferracin

Cobra Spell realiza coletiva de imprensa antes da maratona de shows pelo Brasil


(Cobra Spell - Foto: Jéssica Marinho)


Formada por Sonia Anubis (guitarra),  Noelle dos Anjos (guitarra), Kris Vega (vocal), Roxana Herrera (baixo) e Hale Naphtha (bateria), a Cobra Spell acaba de lançar o álbum “666” e embarcou para uma extensa turnê pela América Latina que passará por nove cidades brasileiras.

Antes do início da maratona, a banda recepcionou a imprensa para um descontraído bate papo no tradicional “The Metal Bar” em São Paulo e o que não faltou foi simpatia por parte das meninas.

 

 

Falando sobre a expectativa de tocar no Brasil.

“Para mim é um prazer enorme estar no Brasil, tocando em casa (Nr.: Noelle dos Anjos é brasileira). Quando eu desci do avião e ouvi as pessoas falando em português e vi as meninas comigo, eu cai no choro, é emocionante poder trazer a minha banda com as meninas que eu amo, super incríveis e talentosas, poder trazer nosso heavy metal para o Brasil, pois eu acho que tá faltando uma representatividade e quanto mais mulher nesse gênero melhor. E fico muito feliz porque eu toco pouco em casa. Amanhã a turnê começa em Brasília, na data do meu aniversário....então será um prazer especial! Estamos muito felizes e empolgadas, será a primeira vez da maioria aqui no Brasil.”

 

Após dois EP 's, a banda lançou em 2023 o primeiro álbum, “666”.

“O desafio é ser uma banda nova fazendo um som, vamos dizer assim, ‘oitentista’. Estamos falando de amor em “High On Love” e em outras canções como “Love = Love” e “Love Crime”. Pensamos que precisamos mais disso no rock e no metal, que é falar de amor sem barreiras porque, na minha cabeça deveria ser um estilo desafiador e mais inclusivo, mas ainda é bastante tradicional. 

Então, eu acho que precisamos falar sobre certas coisas que chocam e muitas vezes recebemos comentários de conservadores que não aceitam. E como uma banda de mulheres, somos novas, temos nossos próprios pensamentos e temos que trazer isso, temos que falar, então essas canções têm que existir.

O título do álbum não foi nenhuma referência ou homenagem...Porque, na minha opinião, tinha que ser algo forte, algo para chamar a atenção, como um protesto. E eu pensei ‘vamos usar um tema bem impactante’, gosto de me expressar de forma extrema, mas não sou satanista”

 


(Cobra Spell - Foto: Jéssica Marinho)

 

Com uma temática calcada no hard rock/glam metal dos anos 80, a Cobra Spell não faz nada inédito, mas com um detalhe: é feito por mulheres em um ambiente dominado basicamente por homens. E essa ‘inversão’ ajuda a entender o propósito da banda. 

“Na banda, pensamos que está na hora de mudar os conceitos, sabe? Trazemos uma visão feminina para um gênero conhecidamente masculino e é bastante divertido. Não temos apenas isso, essa brincadeira de inverter para o feminino, mas também de trazer essa coisa do ‘satanás’, do ‘diabo’, essa visão mais demoníaca do metal e é muito legal porque dá para fazer tanta coisa como “satã é uma mulher” (Nr.: refere-se a uma canção da banda, “Satan Is A Woman”) e por quê não? É uma imagem tão forte que sempre a percebemos como homem, por quê não trazer como mulher? Então temos esse empoderamento nas músicas de trazer nossa visão e pegar personagens importantes.

Quando comecei a ouvir glam, as bandas eram como Blackie Lawless (Nr.: vocalista/guitarrista da banda WASP) e as mulheres não eram vistas como artistas...”

“Na realidade ainda tem muito a ser mudado. E eu, com o passar dos anos, aprendi a construir um muro para que as coisas que não gosto não me molestem, como quando alguém diz algo que não é justo.  Na internet muita gente ainda diz coisas sexistas e que não são uma crítica à música, é mais a nós como pessoas.  Por exemplo, eu vejo comentários como “não gosto dos seus dentes” ou “seu cabelo é de mentira”, coisas estranhas assim e quanto mais exposição você tem, mais mensagens e mais comentários. A minha forma de lidar com tudo isso é não me importar e nos apoiar sempre que algo  machuca porque sabemos o que passamos, sabe? Mas a verdade é que 90% das mensagens são de pessoas educadas que nos apoiam e nos transmitem muito amor com boas palavras.”


(Cobra Spell - Foto: Jéssica Marinho)

 

De todas as integrantes, Sonia Anubis é a mais conhecida do público brasileiro por suas passagens pela Burning Witches e principalmente pela Crypta.

“O Cobra Spell começou antes da minha entrada na Crypta ou seja, não era algo novo, era algo que já existia. E chegou uma hora que tive que tomar a decisão de escolher entre um ou outro. Porque a Cripta era praticamente 24 horas por dia e eu teria que deixar a Cobra Spell que é onde me sinto livre. Foi muito difícil escolher para onde meu vai meu coração, pois quando se tem festivais enormes, um álbum onde você gravou e escreveu música...e deixar tudo. Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida.”

 

Com dezesseis shows em dezoito dias e nove países visitados, a turnê pela América Latina promete ser bem corrida.

“Ano passado fizemos uma turnê pela Espanha com oito shows seguidos e agora também vão ser vários shows assim. Procuramos nos cuidar e descansar para podermos dar o melhor, é bem cansativo e quando volto pra casa fico dormindo por dois dias seguidos rsrsrs. É bem pesado, mas vale muito a pena. Nossa, vale bastante mesmo.”



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