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  • Foto do escritorMaria Correia

Nomes aclamados do Metal Tradicional, Enforcer e Thunderor dão uma verdadeira festa no Hangar 110


Texto: Bruno Santos - @bruno1slayer7

Fotos: Belmilson Santos - @bel.santosfotografia

Realização: Gig Music - @gigmusicoficial

Press: Tedesco Comunicação & Mídia - @tedesco.com.midia


Sábado, noite nublada em São Paulo. Antes da abertura das portas da casa, alguns fãs fizeram um esquenta ao lado de fora do tradicional Hangar 110, local escolhido para sediar as apresentações. Pontualmente às 19:00, foi realizada a abertura para o público geral, que rapidamente formou filas na barraca de merch e no bar. Não havia grade entre o palco e a pista, fazendo com que os mais entusiasmados garantissem seu lugar bem próximo dos músicos. Como de costume, durante os preparativos para o primeiro show, rolou uma discotecagem com músicas de bandas como Judas Priest, Megadeth, Slayer e King Diamond.


Os canadenses do Thunderor foram os responsáveis pela abertura da noite. Banda formada pelo vocalista e baterista JJ Tartaglia (Skull Fist), o guitarrista Johnny Nesta (ex-Skull Fist) e o baixista Oscar Rangel (ex-Annihilator), sua sonoridade é marcada pela forte influência do Heavy Metal tradicional e Hard Rock dos anos 80. Após sua saída do Skull Fist, Johnny foi convidado por JJ para formar o grupo, que teve seu debut, “Fire It Up” lançado no início de 2022 pela Boonsdale Records.

Com um pequeno atraso, as luzes se apagam, dando início as atividades. A faixa título do álbum de estreia da banda abre o show mostrando como o baterista executa viradas, pedais duplos e contratempos em perfeita sincronia com as frases e refrões cantados pelo mesmo. Foi uma ótima escolha para aquecer o público, que apesar de tímido, foi entrando no ritmo dançante da música, curtindo a performance do trio. “On the Run” vem na sequência, mantendo a mesma energia da música anterior. Escolhido para substituir Oscar nessa apresentação, o brasileiro Lucas Chuluc (Trovão/Álcool) faz um ótimo trabalho nas quatro cordas. Johnny é muito carismático, interagindo com o público a todo momento e executa um solo repleto de escalas e com multa pegada.


JJ agradece ao Enforcer pelo convite para realizar a abertura do show e diz ser fã do trabalho do quarteto. “All or Nothing” se destaca em ser uma música mais progressiva que as anteriores, com pedais duplos contínuos e palhetadas matadoras. Novamente o baterista faz um breve discurso, dessa vez agradecendo o baixista convidado e demonstrando sua grande alegria em poder tocar no Brasil pela primeira vez. Dando continuidade, dessa vez com a balada “Dangerous Times”, que esfria o clima da casa, mas, em contrapartida, nos mostra a versatilidade do trio ao executar passagens com muita técnica. Ouvimos backing tracks de teclado que foram gravadas pelo multi-instrumentista que lidera a banda. “Thunderor” retoma o clima caloroso, agitando a plateia, que nessa altura da apresentação, tem um maior número de pessoas.


Johnny Nesta se posiciona no centro do palco e executa solos de guitarra, com participação da plateia, que interage de acordo com as pausas que o guitarrista faz entre suas firulas. Os outros dois músicos retornam ao palco com cervejas nas mãos e JJ faz ajustes em sua bateria, após ter algumas dificuldades na música anterior. Por fim, agradece e elogia todos ali presentes, diz estar feliz por concluir a turnê Sul-Americana tocando na capital paulista. “How We Roll” encerra a apresentação e é perceptível o cansaço que o baterista e vocalista está sentindo, afinal, tocar enquanto canta é uma tarefa árdua, ainda mais se levarmos em consideração o estilo da banda. Mas isso não o impediu de executar a última música e entregar um resultado muito satisfatório. O Thunderor está em ascensão dentro do cenário atual e nos mostrou como um trio pode fazer um trabalho versátil e consolidado. Apesar do show curto, a banda conseguiu agradar e fazer um ótimo aquecimento para o que estava por vir.

Setlist

1. Fire It Up

2. On the Run

3. All or Nothing

4. Dangerous Times

5. Thunderor

6. How We Roll


Em sua terceira passagem pelo Brasil, os suécos do Enforcer retornam ao país com a turnê “Metal Supremacía Tour”, repleta de clássicos de toda a sua carreira. Formada em Arvika, seus integrantes Olof Wikstrand (vocal/guitarra), Jonathan Nordwall (guitarra/backing vocals), Garth Condit (baixo/backing vocals) e Jonas Wikstrand (bateria/backing vocals) se unem para fazer um som com forte influência de Heavy e Speed Metal.


Pontualmente às 21:30, as luzes se apagam novamente e a famigerada “Diamonds and Rust”, do Judas Priest ecoa nos falantes do Hangar 110, dando introdução ao tão aguardado show. O baterista Jonas é o primeiro a subir ao palco, despertando euforia no público. Os demais membros entram e juntos, dão início a “Destroyer”, faixa do álbum “From Beyond”. A energia do quarteto é matadora, interagindo ferozmente com os fãs. “Undying Evil” da sequência, com Olof e Jonathan executando riffs e solos em um entrosamento invejável. Com o público nas mãos, o vocalista apresenta a banda, arrisca o português com um “Olá, São Paulo!” e diz estar feliz em retornar ao Brasil, pedindo aos fãs para que façam muito barulho. “From Beyond”, faixa título do trabalho de estúdio lançado em 2015, encerra a tríade de sons que fazem parte do mesmo. Música com um tom épico e pegadas de Hard Rock, tem seu refrão acompanhado de um coro executado pela plateia.


O frontman é muito carismático, fazendo caras e bocas, correndo por todos os cantos do palco, agitando e interagindo com os que estão mais próximos. Seguindo com a linha do Hard Rock, “Die for the Devil”, do álbum “Zenith”, lançado em 2019 tem forte influência do estilo, nos proporcionando uma certa nostalgia em relação a década de 80. Por um momento, me lembrei de quando jogava o game GTA: Vice City e passava a maior parte do tempo ouvindo as músicas da rádio V-Rock, repleta de clássicos do Rock/Metal oitentista. Retomando a pegada mais Speed, “Live for the Night”, do segundo trabalho de estúdio intitulado “Diamonds”, vem como um soco na cara. Veloz e sem pausas para respirar, desperta todos da plateia, que estão sacudindo a cabeça em total sincronia com a banda.


Após uma pequena pausa, “Bells of Hades” ecoa nos falantes, um solo de piano com ar sinistro, similar as trilhas sonoras de filmes de terror como Suspiria, clássico do cinema italiano. Assim como no álbum “Death by Fire” de 2013, a próxima música é “Death Rides this Night”, seguindo com as pedradas que tem influência do Thrash oitentista alá Kill’Em All. “Zenith of the Black Sun” também é similar a trilha sonoras, mas por sua vez, de filmes como Rocky Balboa, com destaque para o baixista Garth Condit que galopa nas quatro cordas em perfeita sincronia com o baterista Jonas Wikstrand. A iluminação dos holofotes faz junção das cores azul, amarelo e branco, assim como em alguns videoclipes da banda, que até nesse ponto nos remete a uma certa nostalgia, como se estivéssemos assistindo a um vídeo em VHS.


Os fãs gritam “Enforcer! Enforcer!” e o baterista entra na onda, seguindo o ritmo com o bumbo. Olof diz que a recepção do público é algo bonito de ser ver e que é um prazer retornar ao Brasil, agradecendo a presença de cada um que está na casa. Após o discurso, fala sobre o single “Coming Alive” lançado recentemente e sem mais, executa falsetes potentes, em alto e bom som. E falando em som alto… desde o início da apresentação, o volume das pa’s estava muito alto. Sério… eu pensei que os shows do Cannibal Corpse fossem altos… até assistir o Enforcer ao vivo. Voltando a nova música, vimos que os músicos mantém sua identidade consolidada, utilizando de todas as suas influências neste trabalho.


Dando um tempo para recuperar o fôlego, a balada “Below the Slumber” vem para aquecer os corações apaixonados. O vocalista agarra o pedestal de seu microfone e canta com muito sentimento, canta com a alma. O baterista faz dueto com seu irmão, cantando algumas frases em perfeita sincronia. A música se encerra com alguns fãs erguendo esqueiros acesos a pedido de Olof, mostrando como o frontman tem o público nas mãos. “Running In Menace” retoma o ritmo dançante, com os menos tímidos dançando enquanto os músicos responsáveis pelas cordas performam em sincronia, por sua vez dançando com seus instrumentos. Mais um dueto é executado entre Olof e Nordwall, dando início a divertida e contagiante “Take Me out of This Nightmare”. Garth também se destaca ao dedilhar as quatro cordas, em ritmo do refrão e em sincronia com a plateia.

O quarteto sai do palco e rapidamente retorna, cada um com uma cerveja em suas mãos. O frontman faz um brinde e diz que ainda tem energia para mais duas músicas. Ironiza, perguntando se os fãs estão dormindo e pede barulho de todos. A clássica “Katana” se inicia, levando todos a loucura. Seu instrumental é versátil e muito bem construído, com muitas variações e técnicas. Sua execução é muito satisfatória de assistir, musicalmente falando. Antes da saideira, Olof pede para a galera representar, com moshpits e stage divings. O mesmo diz que quer retornar ao hotel impressionado com os fãs brasileiros. Seus pedidos são atendidos, uma roda se abre na pista e alguns fãs sobem ao palco para mergulhar na plateia. O show se encerra com uma verdadeira festa. Todos estão muito empolgados, inclusive Jonathan, que estoura uma das cordas de sua guitarra enquanto toca. Os músicos se despedem agradecendo a todos e demonstrando sua vontade em retornar no futuro.


A noite do último sábado (25), que além de peso e intensidade, teve espaço também para baladas e músicas dançantes, foi marcante para os fãs de Heavy Metal. Ambas as bandas fizeram com que nós nos sentíssemos nos anos 80, transformando a energia do ambiente em algo nostálgico para os mais velhos e divertido para os mais novos.

Setlist

1. Destroyer

2. Undying Evil

3. From Beyond

4. Die for the Devil

5. Live for the Night

6. Bells of Hades/Death Rides This Night

7. Zenith of the Black Sun

8. Coming Alive

9. Below the Slumber

10. Running In Menace

11. Take Me out of This Nightmare

12. Katana

13. Midnight Vice


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